Uma jornada de aprendizado e propósito: conheça a história da fisioterapeuta Priscila Machado

Uma jornada de aprendizado e propósito: conheça a história da fisioterapeuta Priscila Machado

26 de agosto de 2020

Hoje é uma data muito significativa na vida da profissional Priscila Machado. Há nove anos ela concluía o curso de Fisioterapia na Universidade Franciscana, em Santa Maria, cheia de expectativas, mas com a certeza de que estava começando a trilhar o caminho certo.

“Sempre me identifiquei bastante com a área da saúde. Meu pai queria que eu cursasse medicina, porém alguns aspectos não me agradavam na profissão, como por exemplo, a rotina hospitalar, cirurgias, lidar com perdas de paciente, etc, achava que aquilo não era para mim. Quando conheci a fisioterapia foi amor à primeira vista. Percebi que eu poderia fazer tudo o que eu queria na área da saúde, sem passar pelas situações que eu não gostava”, conta Priscila.

Após ingressar na faculdade, mais um desafio: escolher uma área de atuação, uma vez que a fisioterapia é uma profissão muito ampla, com inúmeras possibilidades. Mas durante a vida acadêmica, vários episódios contribuíram para que ela fizesse sua escolha. Ainda quando cursava o 1º semestre, Priscila perdeu uma tia, a qual considerava a segunda mãe. Durante o seu tratamento, ela pôde acompanhar o trabalho das profissionais de fisioterapia.

“Naquela época eu fiquei com o sentimento de que não me formei a tempo de cuidar dela como profissional. Depois isso foi superado e aí trabalhar com a saúde da mulher foi uma das minhas inspirações através dela, foi um dos módulos da faculdade que mais me identifiquei no início”, relembra.

No 3º semestre, outro episódio marcante. Priscila pôde acompanhar a gestação da cunhada e perceber como a profissão poderia auxiliar a mulher também durante esse período, em aspectos como preparação do corpo, trabalho de parto e pós-parto. “Apesar de estarmos morando distante na época, conversávamos todos os dias e foi mais um fator que me aproximou da área”, enfatiza.

Durante o 5º semestre, coincidentemente enquanto estudava sobre saúde do trabalhador, sua mãe precisou passar por uma cirurgia após romper três ligamentos do ombro, uma lesão que foi relacionada com o trabalho. “Esse fato abriu a minha mente e ajudou a ressignificar bastante coisa. Vi que o trabalho em si, não está em somente sair de casa e exercer uma função remunerada. A mãe, por exemplo, trabalhava também em casa, com tarefas domésticas que exigiam movimentos repetitivos e isso acontece com todos. Isso impulsionou meu trabalho no sentido de conscientização sobre a fisioterapia ser para todas as pessoas, pois mesmo que alguém se aposente, se continua fazendo uma função todos os dias, ela está trabalhando”, pondera.

Perto de concluir a faculdade, Priscila fez os cursos de Pilates e de Uroginecologia, este último relacionado com a saúde da mulher, uma área na qual estava bastante decidida a trabalhar. Cursos finalizados, faculdade concluída, formatura realizada, agora bastava ingressar no mercado de trabalho e estava tudo certo! Mas não foi tão fácil assim. Ela retornou para Alegrete por acreditar que a cidade merecia melhorias e novos profissionais; e hoje não se arrepende da decisão que a fez ser realizada profissionalmente e estar perto das pessoas que ama, porém não imaginava que o trajeto seria tão desafiador.

“Não sabia o quanto eu iria receber nãos. Cheguei na cidade e além de buscar emprego, tentei parcerias com médicos ginecologistas, clínicas, hospital, mas era uma área muito desconhecida, ouvi que seria muito complicado, pois o público feminino muitas vezes demorava até para fazer um preventivo. Isso me deu força para trabalhar a questão de conscientização da saúde feminina como um todo,a importância de cuidar da saúde, fazer exames de rotina, etc., que é algo que friso bastante até hoje”, sublinha.

A fisioterapeuta ficou seis meses trabalhando a domicílio. Ingressou na pós-graduação em Fisioterapia do Trabalho e as coisas foram naturalmente acontecendo. Teve a oportunidade de trabalhar em outras clínicas e em uma empresa onde desenvolvia na prática os aprendizados adquiridos concomitantemente na especialização.

Mas o desejo de ter autonomia na forma de trabalho e de, principalmente, poder seguir o seu propósito profissional, impulsionaram Priscila a empreender. Algo que já fazia parte dos seus planos, mas que ela não achou que o momento ideal fosse tão logo depois de formada, pois queria adquirir experiência até abrir o próprio negócio e foi a partir dessas experiências que planejou a Physio Clínica.

“Da minha amizade com a Dani Abi, fui amadurecendo a ideia, influenciada por ela que sempre teve o perfil empreendedor e me deu força. Criamos a marca com a ajuda da Agência Orelhana e começamos a divulgação, foi um marco muito importante quando deixei de ser somente fisioterapeuta e comecei a ser empresária também”, expressa.

No início a Physio contava com o atendimento da Priscila e da prima Jéssica, profissional da área de Educação Física. Conforme o tempo foi passando a necessidade de mais profissionais oferecendo outros serviços foi aumentando e hoje a equipe conta com mais fisioterapeutas e também uma massoterapeuta, tendo muito forte o conceito de multidisciplinaridade.

“Esse foi um projeto que demorou um pouco para acontecer, porque saí de licença maternidade. Inclusive, o nascimento da minha filha foi um marco importante na clínica porque vi a necessidade de não só trabalhar atendendo pacientes o dia todo, percebi que eu precisava me organizar e por isso busquei um treinamento em gestão e administração para profissionais da área da saúde que fez toda a diferença”, diz Priscila.

Nesse ano a Physio começou um trabalho que envolve o conceito de ciclo de vida, abrangendo crianças, jovens, adultos e idosos e está oferecendo diferentes planos com opções para atender toda a família.

“Tenho muito forte comigo esse conceito de família e quis trazer isso pra clínica, um ambiente que toda a família pudesse fazer não só um tratamento ou reabilitação, mas também uma atividade de prevenção ou atividade física. Hoje a gente fecha um time muito completo, é  tudo o que sempre sonhei no atendimento na área da saúde”, afirma.

Após nove anos desde a formatura, Priscila se orgulha da profissional que se tornou e reconhece que não foi uma jornada fácil conseguir trabalhar somente com o seu propósito, além de proporcionar um ambiente de trabalho de harmonia e união entre as colegas. Se a bem sucedida profissional que é hoje, pudesse dar um único conselho para a jovem estudante de fisioterapia de nove anos atrás, ela diria: “não desista depois dos nãos que irá receber”.

 

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