Não se cobre tanto e pare de se comparar

Não se cobre tanto e pare de se comparar

1 de abril de 2019

Priscila Machado (CREFITO 5: 160.697-F)

 

A fisioterapeuta Priscila Machado postou um depoimento em suas redes sociais e achamos interessante compartilhar com nossos leitores.  Ela traz à tona uma reflexão muito importante acerca das cobranças que as mulheres e mães se fazem o tempo todo, inclusive se comparando a outras mães e comparando seus filhos a outras crianças. Confere logo abaixo!

“Hoje pela manhã vi a Marina dormindo nessa posição e eu resolvi escrever sobre ela.

Se alguém curte textão, relato, informação e conhecimento, esse post tem tudo isso.

Vamos lá… A Marina tem hipermobilidade nas articulações dos quadris, já ouviu falar? Se não, vou explicar um pouquinho a respeito.

Existem POSSÍVEIS razões para essa condição:

– Primigesta (ou 1ª gestação, o útero é mais “apertado”)

– Oligodrâmnio (redução do volume de líquido amniótico)

– Apresentação pélvica (bebê sentado durante a gestação e parto)

– Bebê PIG (pequeno pra idade gestacional)

Durante o desenvolvimento intrauterino, esses fatores influenciaram pela dificuldade de movimentos dela, predispondo uma frouxidão ligamentar.

Com o passar dos meses, a Marina consultou periodicamente com as profissionais médicas pediatras, Dra Marilene e Dra Sandra, que sempre constaram estar tudo ok. Também fizemos um ultrassom dos quadris com Dr Carlos Jesus, especialista em diagnóstico por imagem e Doutor em pediatria. Chegamos ao hospital Santa Casa, coloquei a Marina na maca para realizar o exame e ela deitou exatamente como essa foto e o Dr disse: posição característica de bebê pélvico (sem conhecer o histórico dela). Olhem só, TODOS eles dizem que está tudo bem com a nossa pequena. Descartaram as possibilidades de DDQ (Displasia do Desenvolvimento do Quadril), qualquer lesão de cartilagem ou a necessidade de uso de próteses.

Eu, como vocês já sabem, sou Fisioterapeuta. Minha pós-graduação é em outra área. Mas dentro da minha condição realizei alguns testes, como as manobras de Barlow e Ortoloni, logo nos primeiros meses. E frequentemente entre uma brincadeira e outra, de forma lúdica consigo fazer testes de força, flexibilidade e reflexo. Ela sempre respondeu bem.

A respeito do desenvolvimento psicomotor dela, ela atingiu todos os marcos, dentro do esperado. Controle de cervical (pescoço), controle total de tronco (sentar), em pé com apoio, reflexo de marcha antes do engatinhar. E já compartilhei mais de três matérias com fonte segura, tentando explicar que uma criança pode caminhar entre 10 e 18 meses, mesmo que não tenha nada disso. Não foi o suficiente, acredito.

A hibermobilidade é uma doença genética, um “defeito” na síntese do colágeno, causando ligamentos mais fracos que o normal e uma maior ADM (amplitude de movimento). A Marina faz o famoso “espacato” facilmente, quem participa da vida dela, já viu. Com essa particularidade, os bebês ainda podem caminhar um pouco mais tarde. Um prazo se prorroga até os 22 meses.

Entrou na minha vida profissionais maravilhosas: Caroline Da Rocha Tassinari, Fisioterapeuta que agregou a equipe Physio, especialista em reabilitação físico-motora, que me deu todas as palavras de apoio e tranquilidade, a Juliane Viero, minha terapeuta que está me ensinando a lidar com as minhas emoções da melhor forma possível e as Profes da Metodista que estimulam e brincam muito enquanto eu trabalho.

Então… Nenhuma criança “dá de dez a zero” na nossa filha. Não comparem crianças, não comparem mães. Não falem sem conhecimento. Não digam pra uma mãe que ela não estimula sua filha, ainda mais se essa mãe for uma Fisioterapeuta.

Pra essas pessoas, saibam que vocês só me causaram preocupação, ansiedade e angustia.

 Meu conselho para mamães ou futuras mamães: Lembrem-se que cada bebê é um, é único. Faça sua parte estimulando adequadamente, mas não force. A cada conquista, vibre e comemore. Se mesmo assim, a insegurança permanecer, procure profissionais qualificados e não de ouvidos aos palpites pejorativos. Não se deixe incomodar pela opinião dos outros e pela pressão externa.

Obrigada pelo apoio de pessoas que nos amam, amam nossa filha, participam da rotina dela e que SABEM QUE ESTÁ TUDO BEM! Se ela precisar de qualquer intervenção, prótese ou outro tratamento, ela tem a mamãe e o papai dando as mãos quanto tempo for necessário”.

Foto e texto: Reprodução do Facebook autorizada pela autora.

Imagem destaque: Pixabay

Comentários