César Oliveira e Rogério Melo

César Oliveira e Rogério Melo

18 de setembro de 2018

Duas vozes marcantes que, com simpatia e muita presença, carimbaram o seu nome na história da música regional e conquistaram, não só os gaúchos, como também ganharam o reconhecimento no cenário cultural do sul do país; César Oliveira e Rogério Melo, são artistas que personificam a autenticidade do gaúcho e o orgulho por esta terra.

Amigos há mais de 25 anos, criados juntos na cidade de São Gabriel, a atuação como dupla já irá completar 20 anos de uma trajetória forjada em laços fraternos que se resumem em poucas palavras. “Respeito e compromisso”, aponta César. “Amizade, dedicação e profissionalismo”, completa Rogério.

Juntos, gravaram 13 CDs e três DVDs. Antes da carreira em dupla, conquistaram várias premiações em festivais de música nativista como intérpretes. Em 2013/2014 pelo CD “Era Assim Naquele Tempo…!”, foram finalistas da 14ª Edição do Latin GRAMMY, concorrendo com mais de 9.400 inscritos de toda América Latina e, também, do 25º Prêmio da Música Brasileira, para o qual já foram indicados quatro vezes e são vencedores na categoria de “melhor dupla regional”.

Uma caminhada de sucesso que teve como berço da carreira os Centros de Tradições Gaúchas e as invernadas de dança. Não por coincidência, a dupla foi escolhida para apresentar o Reality Show da RBSTV, “Desafio Farroupilha, a dança das invernadas”, uma experiência que traz a tona boas lembranças da cidade natal.

“É muito prazeroso, mesmo que nos dias atuais seja um tanto diferente este meio em relação a nossa época, e não faz tanto tempo assim (risos)”, observa Cesar. Aconteceu uma evolução neste universo artístico que considero fundamental para sua sobrevivência, mas acho que pode ser melhorado fomentando sua evidência num mercado de turismo do estado. A dança e principalmente o convívio em grupo, alicerça fundamentos essenciais para construção de um ser humano tais como: disciplina, unidade, amizade, além de benefícios para saúde, coordenação motora e atividade corporal. Nós, por exemplo, possuímos até hoje um grupo de WhatsApp com os integrantes da nossa antiga Invernada”, completa.

“As primeiras edições foram maravilhosas experiências e esta nova, que já é a quarta temporada, está tão emocionante quanto às primeiras. Estamos ambos enraizados neste meio maravilhoso e salutar, amamos o que fazemos e temos muita saudade de um tempo em que fizemos nossas melhores amizades, inclusive a nossa. Hoje em dia só não participamos mais dos grupos por falta de tempo mesmo”, assegura Rogério.

E por falar em tempo, apesar dos compromissos profissionais que sempre tornaram a rotina mais acelerada, ao longo da carreira eles foram aprendendo a lidar com a distância, algo que hoje para César requer um pouco mais de esforço.

“Da minha parte hoje é muito difícil, pois meu filho tem 4 anos e meio e a saudade aperta barbaridade, porém tento o máximo possível estar presente e, de certa forma, todo nosso trabalho está na palma da mão nos dias atuais, graças a tecnologia e termos nossos próprios estúdios em casa. E como poucos sabem, quando estamos fora do palco possuímos inúmeras responsabilidades profissionais, fora que não existem feriados ou fim de semana para nós. Por isso sempre agradeço a compreensão da minha esposa”, ressalta.

Para Rogério, hoje é mais tranquilo, as filhas já estão adultas e sempre entenderam a ausência do pai, o que facilitou muito a dedicação ao aspecto profissional. “Digo que nossa carreira é abençoada, porque fazemos o que amamos, o que aprendemos ainda na adolescência e Deus sempre colocou boas pessoas ao nosso redor, assim temos uma ótima convivência o que facilita muito”, aponta.

Folclore & Identidade

Num cenário onde a música regionalista fala de uma cultura bem específica, carrega uma bagagem histórica e possui um vocabulário diferenciado, muitas vezes estranho até mesmo para os próprios gaúchos, os músicos acreditam que a autenticidade e a qualidade do trabalho, é que ditam o espaço que ela terá na audiência.

Obviamente o dialeto do gaúcho é muito próprio e mais ainda quando extremante regionalizado. Porém, estamos lidando com folclore, e quando este é mostrado de forma autêntica e natural é uma manifestação artística aceita em todo planeta pelo seu diferencial, pela magia da sonoridade que aguça a curiosidade das pessoas em conhecer o desconhecido, além da riqueza que a música gaúcha e a nossa identidade cultural proporcionam”, assevera César.

“Eu não vejo como dificuldade, ou não deveria ser, porque vejo muita gente ouvindo e cantando músicas em outros idiomas que às vezes nem sabem o significado. Nós mesmos ouvimos música do mundo todo por uma série de fatores, seja pelo ritmo, melodia, instrumentistas ou simplesmente a energia que a música passa”, exemplifica Rogério.

E desta forma autêntica e firme, eles seguem levando a nossa cultura pelo mundo a fora com a certeza de que tem uma missão a cumprir. “Obviamente que somos agradecidos por esta benção de poder levar adiante este, que foi e sempre será nosso norte, a cultura que fomos educados. Levá-la adiante é uma forma de agradecimento também. Este sentimento está no DNA do nosso povo. Deus abençoe que nossos jovens tenham afinco para sustentar este ideal”, deseja César.

“Espero estar deixando algo de útil, cantando o nosso povo, nossos usos e costumes e nossa raiz. Espero que as pessoas possam sempre entender a nossa mensagem de alegria em vivenciar o que cantamos e a felicidade em ver o sorriso do nosso público a cada trabalho”, finaliza o parceiro.

Por Gabriella Oliveira, publicada em setembro de 2018, ed. 19. Foto: arquivo pessoal.

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