Postar: o verbo mais conjugado da nossa geração

Postar: o verbo mais conjugado da nossa geração

19 de julho de 2018

“A comodidade do acesso ao mundo na ponta dos textos trás a humanidade a um grande paradoxo que merece ser pensado”, diz Psicóloga

Você é daquelas pessoas que gosta de registrar tudo o que acontece e compartilhar nas redes sociais? Um prato bonito no restaurante vira post para o Instagram, o nascimento do filho vai direto para a timeline do facebook, o “look” do dia foi estrategicamente pensado para entrar nos stories, enfim, você não imagina a sua vida sem a internet e as redes sociais. Mas você já se perguntou por que tem essa necessidade?

Há alguns anos atrás nem tínhamos acesso à internet. As redes sociais da geração dos nossos pais, por exemplo, eram interações “cara a cara”. Durante um passeio não tinha a pausa para tirar várias fotos, divergir com os amigos sobre qual ficou melhor, até decidir, ali mesmo, qual postar no facebook.

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“Sabemos que não podemos optar mais por viver online, é o mundo online que vem até nós para nos facilitar o dia a dia, principalmente no trabalho. Porém, a vida pessoal requer o contato, a roda de conversa, o olho no olho, pois estes a tecnologia não consegue substituir. Porém as pessoas acabam se enganando e achando que as mensagens virtuais troca a presença física, principalmente entre os jovens”, salienta a Psicóloga e Coach Renata Reston, natural de Alegrete e atualmente atuando em Porto Alegre.

Conforme a especialista a geração nascida na internet apresenta cada vez mais diagnósticos de ansiedade para a vida adulta, ou seja, buscam a representação do que veem no mundo virtual para as próprias vidas. É um claro exemplo do que acontece no cotidiano virtual. É como se a felicidade fosse condicionada à produção de conteúdo para as redes sociais, uma vez que, as postagens da sua rede de amigos parecem tão mais interessantes do que a sua vida: viagens, restaurantes, paisagens exuberantes e um amor correspondido.

“Hoje as interações sociais, emocionais, de trabalho e relacionamentos passam pelos celulares que não sai das mãos em nenhum momento. Esta dependência acontece como qualquer outra dependência emocional, falta de autoestima, problemas com a aceitação da autoimagem ou com crenças limitantes, por exemplo. O que é difícil de notar hoje em dia, porque todas as pessoas já tem este comportamento de não imaginar mais a vida distante do meio de comunicação mais potente do século XXI – a internet”, explica Reston.

É óbvio que não podemos nos desconectar 100% do mundo virtual (a menos que se queira, porém muitas pessoas trabalham utilizando esses meios). Por isso, a profissional aconselha que haja um equilíbrio. “Precisamos nos organizar melhor para momentos longe dos celulares e aceitarmos a experiência das incríveis possibilidades de divertimento com o wi-fi desligado”, sugere.

Apresentacao CSA
Renata ainda aponta que existem meios de amenizar o impacto da atualidade. “Profissionais qualificados auxiliam na “des”coberta de quem realmente a pessoa é, como se vê, pensa, observa a própria realidade e, ao observar todo isso, automaticamente age e gera resultados”.

É a chamada coachterapia (união da Psicologia Positiva aliada ao coaching) que também já faz parte do mundo digital e disponibiliza até atendimento online. “Auxilia no processo para mudança de hábitos, ao trabalhar com base nos pontos fortes, talentos, habilidades e forças pessoais. Ela é pautada na tríade: Descobrir – Transformar –Agir – para viver uma vida com mais propósito”, finaliza.

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