Renato Borghetti

Renato Borghetti

3 de janeiro de 2017

Renato Borghetti

Renato Borghetti

Um dos maiores nomes da música instrumental brasileira, o gaúcho Renato Borghetti comemora, em 2014, os 30 anos do lançamento do seu primeiro álbum: o Gaita Ponto. Sem exemplos musicais na família, Borghettinho, como é conhecido, ganhou dos pais, aos 10 anos, sua primeira gaita. “Eles me deram uma gaita de oito baixos não como um instrumento musical, mas como um brinquedo, porque ela era pequena. Aos poucos fui descobrindo que daquele brinquedo saía música e assim foi o meu primeiro contato com esse mundo”, relembra.

A primeira aparição profissional aconteceu na adolescência, devido a um convite do CTG 35, de Porto Alegre, onde sua família mantinha os laços com o tradicionalismo. Renato conta que foi convidado para tocar na churrascaria anexa ao CTG, quando a entidade mudou-se para a Avenida Ipiranga. Ele e o irmão, Marcos, passaram a se apresentar profissionalmente no local e tornaram-se músicos da casa. Contudo, o primeiro grande palco em que pisou foi o da 9ª Califórnia da Canção Nativa, em 1979.
De acordo com Borghettinho, o fato de ser um músico versátil o destaca entre os demais. Por já ter tocado praticamente todos os estilos musicais, desde rock e heavy metal a jazz e música clássica, sem perder sua identidade musical, sua notoriedade aumenta. “Quando artistas de diferentes estilos me convidam para tocar com eles, fica claro que eles querem que eu incorpore à música deles essa minha característica regional, gaúcha. Do contrário, eles teriam infinitas opções, músicos melhores do que eu para chamar para essas participações”, sublinha.
O músico, que se considera mais instrumentista que compositor, relata que a composição surge a partir da necessidade. “Sempre que tenho de fazer um trabalho novo, me refugio em uma propriedade na Barra do Ribeiro, um local tranquilo, diferente da cidade grande. Lá, me organizo, monto o repertório e componho”.
Informalmente, Borghettinho toca violão, mas sua dedicação sempre foi exclusiva à gaita ponto – aquela de oito baixos. Ele explica que esse modelo de gaita normalmente serve como instrumento de iniciação aos gaiteiros e, por ser limitada, os músicos iniciam com ela e depois tendem a passar para outras mais completas, como a popular gaita piano. “Eu nunca tive a vontade de passar para outra gaita. Sempre me dediquei à gaita ponto e busquei me aperfeiçoar, aprender bem e aproveitar ao máximo esse instrumento”, completa.
Gaita Ponto também é o título do primeiro disco de Renato, lançado em 1984, o único na música instrumental brasileira a vender mais de 100 mil cópias e conquistar o Disco de Ouro.
A obra, que surgiu despretensiosamente, atingiu marcas que o gaiteiro sequer imaginava. “Pelo fato de não cantar, eu não tinha banda e não fazia shows solo. Resolvi gravar o disco com a intenção de fazer um registro das minhas músicas. De repente, fui pego de surpresa por toda a repercussão, as vendas e as críticas. Quando percebi, o disco que eu imaginava que ficaria restrito ao Rio Grande do Sul, estava circulando pelo Brasil inteiro”, recorda.
Naquela época, Renato tocava com o amigo alegretense Neto Fagundes, e, mesmo com o sucesso do disco, deu continuidade a esse trabalho que culminava em apresentações com partes cantadas e instrumentais. Sua banda própria só surgiu um ano e meio depois do primeiro disco. “Devido às proporções que as coisas tomaram tive de montar a minha banda para fazer só música instrumental”, fala.
O artista, que tem sólida carreira internacional, encontrou algumas justificativas para a aceitação do público estrangeiro. A empresária, que trabalha com ele há 15 anos, é austríaca, muito criteriosa e apaixonada por música boa e bem feita – motivo pelo qual ela se interessou pelo trabalho do gaúcho. Devido a isso, no exterior ele toca em locais que têm por característica a boa música. Ainda, apesar de todas as dificuldades da música instrumental, ela torna-se universal, uma vez que o idioma não aparece como obstáculo. Outra coisa que facilitou a carreira, principalmente na Europa, foi a gaita. “Apesar de fazermos shows em países como Canadá e México, vamos à Europa com mais frequência, e o fato de eu tocar gaita impulsionou o meu reconhecimento por lá. A gaita veio para o Brasil através de imigrantes europeus e o que eu estou fazendo é voltar pra lá com o instrumento que eles trouxeram”, afirma.
Renato Borghetti cultiva uma relação bastante próxima com Alegrete. Ela teve início com a amizade que desenvolveu com Neto, da Família Fagundes. “Fui convidado, pelo Neto, a participar da Ronda da Canção Nativa de Alegrete (em 1983). Ganhamos com a música Origens, que hoje é o tema da abertura do programa Galpão Crioulo. Neste festival, inclusive, ganhei o prêmio de melhor instrumentista. Estreitamos cada vez mais nossos laços, e passei a visitar Alegrete periodicamente”, conta. Essas visitas também resultaram em um casamento que durou mais de 20 anos com a alegretense Cadica Borghetti. Para impressionar no inicio do namoro, Borghettinho fez a música Cambicho em Alegrete e aproveitou para fazer uma homenagem à cidade.

Por Gabriella Oliveira, publicada em março de 2014, edº3. Foto de arquivo pessoal.

Comentários