Lucas Tagliapietra: o alegretense no futebol europeu

Lucas Tagliapietra: o alegretense no futebol europeu

3 de junho de 2015

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Já estamos acostumados a ouvir o slogan “Brasil, o país do futebol”.  O esporte já faz parte da nossa cultura, mexe com o sentimento de muitos torcedores e é o sonho de carreira de muitos jovens. Mas dos milhões que sonham, poucos conseguem fazer esse gol na vida.

Felizmente não é o caso do alegretense Lucas Lima Tagliapietra, que com 24 anos, conseguiu emplacar essa conquista e atualmente é zagueiro do Hamilton Accies FC, na Escócia.

Mas essa trajetória só conseguiu alavancar sucesso com o apoio de um torcedor sem igual na vida do jogador: o seu pai, o aposentado Luiz Carlos Tagliapietra (64).

Lucas sempre jogou futebol. Desde muito novo seu sonho era que o esporte se tornasse profissão, mas por ser muito incerto, até pela pouca idade, não tinha total confiança e apoio da família no início.

“Ficamos muito surpresos quando ele falou que queria seguir esta carreira. Ele estava em Santa Maria morando com o irmão para estudar e quando ficamos sabendo ele já estava treinando no time júnior do Inter na cidade. Conversamos e ele aceitou continuar estudando e treinando sem prejudicar os estudos”, relembra o pai.

Para tentar construir um caminho mais seguro, ele chegou a fazer cursos técnicos na área agrícola, mas o sonho continuou falando mais alto e quando a oportunidade surgiu Lucas não pensou duas vezes. Em 2008 teve a proposta de assinar contrato profissional com o Inter-SM/ Imembuí em Santa Maria, e este foi o ponta pé inicial para a carreira futebolística.

A essa altura, o pai, que antes era um espectador contrariado, passou a ser o principal incentivador do filho. Desde então o alegretense dedica sua vida a esta profissão que, diferente do que muitos pensam, não é nada fácil.

“As pessoas se iludem com o que assistem na TV e não imaginam as dificuldades da profissão. A pressão diária, distância, cobranças, enfim, tudo isso afeta no rendimento’’, relata Lucas.

“Com certeza o início foi difícil, pois o futebol requer muita dedicação, persistência e disciplina. Mas percebemos que é fundamental estar ao lado do Lucas trocando ideias quando ele precisa tomar certas decisões e apoiando independente de qualquer coisa”, diz Luiz.

Luca e pai

A mudança mais impactante foi quando o jogador passou uma temporada em Hong Kong, na China, onde precisou lidar com as diferenças culturais, idioma e alimentação, saindo totalmente da sua zona de conforto. O clima quente e abafado também foi um forte adversário em campo.

Apesar de já ter uma base teórica em inglês, o dia a dia no país fez com que Lucas percebesse que, além de se esforçar nos treinos, ele precisava aprimorar o idioma e passou a dedicar, três a quatro horas do seu dia, para os estudos.

“Ficamos preocupados, mas o Lucas conseguiu superar os problemas. Sempre tivemos uma base familiar sólida, o preparamos para enfrentar as dificuldades longe da família”, conta o pai.

Ensinamentos que Lucas leva na bagagem e não se cansa de por em prática.      Nas horas mais difíceis, ele viaja, mesmo que só em pensamento, de volta para o seu porto seguro. “Graças a Deus sou abençoado por ter uma família humilde e unida, que está sempre do meu lado mesmo em momentos difíceis, diariamente, independente da distância”.

O jogador diz que está muito feliz do caminho que trilhou até o momento, mas sonha em ir mais além. “Tenho muita fé em Deus e paz no meu coração para tomar minhas decisões. Nunca coloquei e não colocarei o dinheiro em primeiro lugar”, afirma.

 Em campo, Lucas ainda tem muito que conquistar, mas na partida de futebol chamada vida, o seu treinador já comemora, pois a sensação é de dever cumprido. “Acreditamos muito no Lucas, o mérito é dele e o orgulho é nosso”, finaliza Luiz Carlos.

Por Gabriella Oliveira, publicada em junho de 2015, edº6. Foto de Flávio Burin.

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