Garota Verão 2015

Garota Verão 2015

1 de março de 2015

GV2

A Vanguarda bateu um papo com a Garota Verão 2015. O maior concurso de beleza do sul do país elegeu, pela primeira vez em sua história, uma candidata negra. Gabrielle Martins Rosa, de 15 anos, representando a cidade de Torres, feito também inédito para o município, está muito feliz e surpresa com a conquista do título. “Sempre sonhei em ser Garota Verão, mas não tinha a pretensão de vencer o concurso esse ano, participei pois queria ganhar experiência e conhecer melhor o evento” confessa.

Vanguarda: O que te motivou a participar do Garota Verão?

Gabrielle: Toda família, desde a época que minha mãe participou sonhava com a ida de uma representante a Capão da Canoa. E eu sempre fui alimentando isso em mim. Se eu conseguisse ir, realizaria além do sonho pessoal de ser Garota Verão o sonho de toda a família.

V.: Tu já tinhas participado de outros concursos ou já estava investindo na carreira de modelo? Fale um pouco sobre a tua trajetória até o presente momento.

G.: Aos 9 anos fui  Miss Torres e Miss Rio Grande do Sul, fui para as eliminatórias em Salvador e lá fiquei classificada como princesa. Desde então não havia participado de nenhum outro concurso. Estava esperando ficar mais madura para participar do Garota Verão.

V.: Como foi o preparo para o concurso?

G.: Na verdade não houve um preparo. Eu tinha uma viagem marcada para a data da eliminatória da minha cidade, porém a viagem acabou não acontecendo e eu decidi que participaria na sexta-feira e o evento ocorreria no domingo. Então, foi realmente tudo muito em cima da hora. Eu via a participação neste ano como uma preparação para o futuro, não tinha expectativa de ganhar.

V.: O fato de a tua mãe ter participado do concurso teve alguma influência na tua decisão de participar também?

G.: Total. Foi um sonho passado de mãe para filha. Meu pai sempre quis muito também. Mas ambos sempre salientaram a dificuldade de passar pela regional e quando eu passei já foi uma surpresa muito grande.

V.: Além de ser a primeira representante de Torres, tu foi a primeira negra a ganhar o concurso. O que isso significa pra ti?

G.: É uma felicidade sem tamanho. As pessoas me param na rua para dizer que estão felizes por ter uma representante da raça delas como Garota Verão. Muitas enchem os olhos de lágrimas e veem isso realmente como uma conquista, eu acabo me emocionando junto com elas, pois sem dúvida será um marco para a história do evento.

V.: Fala um pouco sobre a tua descendência.

G.: É uma mistura na verdade. Minha mãe tem origem alemã e italiana e meu pai tem origem negra e portuguesa.

V.: Tu já sofreste algum tipo de preconceito? Como lidou com a situação?

G.: Eu nunca sofri. Até agora parece que anda circulando algo nas redes sociais, mas eu também não dou importância e não tenho tempo para ficar procurando esse tipo de coisa. Mas acho que saberia lidar muito bem com a situação. Sempre fui muito confiante e meus pais sempre me educaram para nunca ter vergonha de quem eu sou.

V.: Esse foi um ano inusitado para o Garota Verão. Teve uma candidata que, infelizmente, é encaixada como fora dos padrões de beleza para concursos desse tipo e, tu foi a primeira vencedora negra. O que tu acha dessa quebra de padrões? Tu julga que isso é importante para ajudar a combater o racismo e outros tipos de preconceito?

G.: É maravilhoso. Acho que essa quebra de padrões vem para motivar cada vez mais meninas negras a participarem do concurso. E acredito que depois disso, muitas outras serão eleitas Garota Verão. Pois, elas também vão acreditar que é possível.

V.: Quebrar padrões e lutar contra o preconceito é sempre muito importante. Qual a tua opinião sobre esse assunto?

G.: As pessoas dizem que hoje em dia não há mais preconceito, mas a verdade é que ele existe sim. O resultado do concurso é uma das coisas que serve para mostrar, a quem tem esse tipo de sentimento, que todos somos iguais e que o que é possível para uma pessoa é possível para outras também.

V.: Sobre os estudos: o que tu faz ou gosta de fazer? Pretende fazer algum curso superior ou vai te dedicar a carreira de modelo?

G.: Talvez eu siga os passos do meu pai que é advogado. Mas eu gosto muito de cantar, toco violão também, acho que vai ficar como hobbie. E quanto a carreira de modelo quero dar continuidade, acredito que consigo conciliar tudo (risos).

V.: Sobre ti: quais são teus hábitos mais comuns, o que tu gosta de fazer no teu tempo livre?

G.: Cantar e tocar. Até compus uma música esses dias, falando sobre os pontos turísticos de Torres. Escuto e canto alguma coisa de pop rock, mas minha paixão mesmo é pela Música Popular Brasileira.

V.: O que já mudou na tua vida em função dessa vitória?

G.: Antes as pessoas até me paravam na rua pra dizer que me achavam bonita e tal. Mas agora me param na rua, pedem autógrafo, tiram foto, dizem que eu sou o orgulho da cidade, me tratam com tanto carinho e isso tudo é muito gratificante. Pois, são pessoas que não convivem no dia a dia comigo , mas dedicam um pouquinho do seu tempo pra dar uma palavra de apoio e admiração.

V.: Quais os planos para o futuro?

G.: Estudar. Tentar a carreira de modelo. Cantar e tocar nas horas vagas.

Por Gabriella Oliveira, publicada em março de 2015, edº5. Foto de Miro Machado.

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