Nenhum de Nós

Nenhum de Nós

1 de dezembro de 2014

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Na edição Especial de Natal, a Vanguarda bateu um papo com uma das bandas ícones do rock gaúcho. O grupo Nenhum de Nós, representado pelo guitarrista Carlos Stein, nos contou um pouquinho de sua história marcada por canções aclamadas e que embalam gerações.

O Nenhum de Nós é um quinteto formado por Thedy, cantor; Sady, baterista; João Vicenti, tecladista, gaiteiro e backing vocal; Veco Marques e Carlos Stein, guitarristas. Thedy compõe as letras das músicas e todos trabalham nas composições. Nos shows há um músico convidado, o Estevão Camargo, que toca o baixo.

Confira a entrevista:

Vanguarda: Como e quando vocês se conheceram?

Carlos Stein: Eu, o Sady e o Thedy fomos colegas de colégio. O Veco também estudou no mesmo lugar, mas é mais novo que nós. Isso foi nos anos 70. O João começou a trabalhar conosco em 91, ele entrou na banda através do Veco, que já o conhecia do mundo da música nativista.

V: Quando surgiu oficialmente o Nenhum de Nós?

C.S.: Consideramos nossa data de aniversário o dia de nosso primeiro show com o nome Nenhum de Nós. Foi em cinco de outubro de 1986.

V: A formação é a mesma desde o começo. Como vocês conseguiram manter essa relação por tantos anos?

C.S.: Gostamos muito de nossa banda e ainda vemos muito sentido em trabalhar nela. A amizade também ajuda a dissipar as rusgas que naturalmente surgem com o tempo. Além disso, temos nosso empresário que está conosco desde o início, o Antônio Meira, ele pode ser considerado da banda também, e sempre nos garantiu uma ótima agenda de shows. Isso ajuda a nos mantermos unidos.

V: Quando surgiu o interesse pela música?

C.S.: Desde que me conheço por gente. E acho que foi assim com toda a banda. Desde muito cedo já ouvíamos Beatles, por exemplo. Isso não deixa ninguém impune.

V: Como foi o início da carreira?

C.S.: Foi uma boa época de descobertas. Descoberta de nossa sonoridade, de nosso discurso, de nossa imagem. Também o rock brasileiro passava por essa fase. Mas tudo aconteceu relativamente rápido conosco. Camila foi uma de nossas primeiras composições e logo abriu as portas do mercado da música para nós. Foi um momento muito bom para trabalhar com música. O mercado ainda estava em formação, então, tudo dependia de uma boa canção.

V: Por que Nenhum de Nós?

C.S.: Estávamos com nosso primeiro show marcado e ainda não tínhamos escolhido um nome. Nos sentamos, eu, o Sady e o Thedy em torno de uma mesa para finalmente decidir isso e pensamos no que tínhamos em comum: nenhum de nós enxerga bem, nenhum de nós pegou quartel. No final, ficou Nenhum de Nós.

V: Quais os momentos mais marcantes da carreira?

C.S.: Para mim, as primeiras gravações foram muito marcantes. Minha primeira vez em São Paulo. Também o grande sucesso de Camila e Astronauta. Ainda hoje sentimos o efeito desse sucesso. Depois, o nosso primeiro acústico, de 94. Foi um disco feito por nós, de forma independente. A gravadora entrou no processo quando já estava tudo pronto. Isso nos deu a noção de nossa autonomia. Os grandes shows que fizemos no Planeta e, mais recentemente, nossa viagem à China, quando tocamos na feira mundial de 2010.

V: Tem uma música que toda a banda considera marcante? Por quê?

C.S.: Todas são importantes para nós, mas acho que Camila é especialmente emblemática. Não sei se estaríamos nessa entrevista e na capa dessa revista hoje se ela não tivesse surgido  naquele começo.

V: Como é a relação familiar? Há tempo para conciliar?

C.S.: Já se vão 28 anos. As viagens são complicadas e nem sempre confortáveis, mas é o nosso trabalho. Nosso cotidiano sem rotina. Nossas famílias já aprenderam a conviver com nossas ausências. O que não quer dizer que a saudade não seja grande.

V: Falem um pouco sobre novos projetos e o que esperam para 2015.

C.S.: Lançaremos um novo disco em 2015. Sempre é um momento importante. Vai ser todo de inéditas e, como sempre, alimentamos boas expectativas. A melhor é levar essas novas canções estrada afora.

Por Gabriella Oliveira, publicada em dezembro de 2014, edº4. Foto de divulgação oficial da banda.

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